O Estadão virou Estadinho?

Em outro post falamos sobre a quantidade de jornais vendidos no Brasil, e do fato do jornal O Estado de SP comemorar seus cerca de 80 mil exemplares comercializados diariamente na média de 2021. Esse resultado é apenas uma fração do que ele, e outros “jornalões” do passado vendiam até os anos 1990. Agora, depois de mais de 140 anos no formato standard do jornalismo, o “Estadão”, como se auto apelidou o centenário paulista, adotou o formato tabloide, o mesmo que, no máximo, utilizava para cadernos especiais, encartes ou peças de publicidade.

Artigo na página 03 de O Estado de São Paulo, de 17 de outubro de 2021, explicando aos seus leitores o novo formato de impressão. Fonte: O Estado de S.Paulo, 17/10/2021. pg. 03.

Sobre a decrepitude do modelo impresso de jornalismo, todos jornalistas e gente da mídia, inclusive muitos quadros do próprio Estadão, já sabem da falta de horizontes nesse segmento. O tempo dos jornais como grandes empresas de comunicação, com dezenas de editorias e sub editorias, sucursais espalhadas pelo país e em outros países, já acabou. Nas últimas décadas redações famosas dizimaram seus quadros simplificando suas estruturas de modo a deixar apenas o essencial para produzir conteúdos cada vez mais enxutos.

Portanto, embora o formato tabloide seja muito simpático, é bastante sintomático que logo o Estadão o adote, e justamente agora, onde vivemos uma crise econômica, outra sanitária e a crise específica do setor das comunicações, que é independente dessas outras duas e, para o meio, ainda mais letal que estas.

Coloco um parênteses para dizer que gosto muito desse formato tabloide. E ele nem é novidade em grandes periódicos. O jornais gaúchos de grande circulação, Zero Hora e Diário Gaúcho, adotam esse formato há décadas e sempre foram bem aceitos pelos leitores. Mas isso não os impediu de sofrem os mesmos efeitos da crise que os demais jornais impressos vivem.

A primeira edição no novo formato ocorreu em 17 de outubro de 2021. Na página 3, um artigo “da casa” garantindo: “O jornal de sempre”.

O “Estadão” no formato tradicional durou quase 150 anos. Por quanto tempo teremos o “Estadinho” circulando pelas mãos dos cada vez mais escassos leitores?

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