O jornal (de papel) mais lido do Brasil

Saiu no “Estadão” (Jornal o Estado de S. Paulo) de 23 de junho de 2021 matéria comemorativa afirmado que, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), naquela data era esse diário o jornal de maior circulação brasileira. Parabéns ao jornal centenário paulista, contudo os números exibidos na própria matéria são constrangedores para ele, quanto para os outros citados.

Fonte: O Estado de São Paulo, 23/06/2021.

Segundo o IVC de junho, o Estadão apresentava 76.417 exemplares dia (publicados e vendidos) contra 72.808 do carioca O Globo e 70.752 do mineiro Super Notícia. Os demais citados (veja figura) aparecem com menos de 70 mil exemplares por dia. Destaque para a outrora super poderosa Folha de São Paulo, que ficou quinto lugar com apenas 59.719 exemplares vendidos diários.

Destes, apenas o Super Notícias não tem longa tradição jornalística brasileira. Circula desde 2002 e é vendido pelo preço (simbólico!) de R$ 0,50. Os demais já tiveram em seu passado, quando a população brasileira era muito menor, pouco mais que a metade do que é hoje, circulação aferida de mais de meio milhão de exemplares. Eram históricas as super edições do “Estadão de domingo” com classificados de centenas de páginas, e exemplares de quase um quilo de peso!

Sabemos que toda essa papelada deu lugar à virtualização das notícias, sobretudo depois que praticamente todas os brasileiros passara a ter smartphones. Mas não é apenas esse o problema. Há quase 20 anos os grandes jornais já estão migrando para as plataformas digitais. Mas essa migração não é acompanhada pela totalidade de seus leitores. Como é muito mais fácil manter um website do que um jornal físico, os grandes jornalões do passado encontraram um novo patamar de concorrência. Jornais tradicionais como Estadão, O Globo, Folha de S.Paulo e Zero Hora, virtualizaram seus conteúdos, mas ainda cobram por eles, mas precisam competir com diversos websites de jornalismo que oferecem acesso gratuito a seus conteúdos.

O resultado disso, que não atinge apenas a imprensa escrita, mas também emissoras de rádio e televisão, é que o jornalismo em si teve seus canais de distribuição diluídos, o que enfraqueceu as empresas tradicionais de mídia. É possível que a mídia impressa, como meio de transmissão de notícias, encontre seu derradeiro fim ainda nesta década, e as empresas que as promoviam, ou desapareçam de vez ou conformem-se em conviver somente no oceano virtual.

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